sexta-feira, 13 de abril de 2012
Quando eu ia para a música
"O tempo passava. Hoje, para mim, esse é o grande mistério.
Antes, naquela idade, iluminado pela luz de outono que chegava depois da chuva e que atravessava as vidraças da Sociedade Filarmónica, eu estava sozinho numa sala com chão de madeira. Havia buzinadelas de trombones ou guinchos de clarinetes que chegavam de outras salas, atravessavam as paredes, mas eu estava no centro de uma calma importante, sentado diante de uma pauta, concentrado, a desenhar notas no ar com dois dedos. Era o solfejo a ondular-me na voz ainda de criança: dó-ó-ó-ó, ré-é-é-é.
Mais tarde, noutra estação, levava para casa uma caixa, parecia uma mala de viagem, e sentia-me solene ao atravessar as ruas com ela. A caixa ia cheia de responsabilidade. Num dia de especial cerimónia, o mestre da música tinha-se baixado até à minha altura para me olhar bem nos olhos e me dizer que, a partir daquele momento preciso, eu era o único responsável por aquele instrumento. No meu quarto, pousava a caixa sobre a colcha da cama feita, abria-lhe o fecho e admirava-me com o saxofone alto. A quantidade de chaves e botões impressionava. Apesar de fosco por anos de uso, apesar de algumas amolgadelas, o seu brilho continuava a ser imponente. Ao longe, trazido pelo vento, é quase certo que o sino da vila dava horas nesse instante.
A banda ensaiava no salão da Sociedade. Em matinés de domingo ou em terças-feiras de Carnaval, eu entrava nesse salão e ficava a ver os bailes, analisava os casais que dançavam e as mulheres que ficavam sentadas, com as malas no colo, bem vestidas, colares, alfinetes talvez de ouro, muito sérias, a seguirem cada passo das filhas. Depois de pagar bilhete, era também aí que entrava para ver filmes projetados num lençol. Nos ensaios da banda, os saxofones altos ficavam na fila da frente, ao centro. Tocávamos as mesmas músicas vezes e vezes, o mestre balançava à nossa frente, o seu corpo seguia a batuta. Então, podia interromper tudo de repente e cantar um pouco para explicar um detalhe ao bombardino: pó-pó-pópópópó. Ou, com frequência, podia irritar-se com as trompas. Perguntava: as trompas estão a dormir?
A flauta era tocada pela rapariga mais frágil. O bombo era tocado pelo rapaz mais forte. A ensaiar no salão ou a marcharmos fardados pelas ruas, o bombo era o coração de um gigante do qual todos fazíamos parte. De manhã cedo, em dia de festa, quando tocávamos arruadas na nossa terra ou em terras próximas, acertávamos o passo pelo bombo. Todos avançávamos com o pé direito ao mesmo tempo. Depois, ao mesmo tempo, todos com o pé esquerdo. Levávamos as partituras presas com molas da roupa a um pequeno retângulo de cartão que nos ficava à frente dos olhos. O mestre da banda seguia lá à frente, orgulhoso e rebiteso, a levar-nos por onde só ele sabia. No céu, estouravam foguetes.
Havia certos lugares, como a Junta ou a Casa do Povo, onde estavam à nossa espera. Então, parávamos e tocávamos uma marcha enquanto hasteavam a bandeira muito devagar. A seguir, quando o mestre dava ordem, saíamos da formação. Os instrumentos maiores eram pousados em algum lugar mais ou menos protegido, formavam uma imagem brilhante, e nós entrávamos em direção a uma mesa. Havia papo-secos cortados ao meio com fiambre ou queijo e havia fatias de bolo. Esperávamos à volta da mesa, a olhar. Depois de recebermos licença, estendíamos um copo de plástico que alguém enchia com sumol. Não havia barulho enquanto comíamos esses lanches. Havia os nossos olhos abertos por cima dos copos. Durante esse tempo, os rapazes que vinham atrás da banda pelas ruas, assomavam-se à porta e ficavam a espreitar. Esse era o momento, achávamos nós, em que tinham pena de não fazer parte da banda.
Nas procissões, tocávamos marchas muito lentas, pesadas, e avançávamos muito devagar. Aprendíamos a intensidade. Quando parávamos de tocar, a caixa continuava a marcar o passo baixinho, atravessávamos ruas cobertas de alecrim, e ouvíamos a voz do padre, amplificada por um microfone, alternada com um coro de viúvas. Além disso, em tardes de muito mais sol, subíamos a coretos de jardins com laranjeiras carregadas e, quando tocávamos algo que se afastasse das marchas e dos pasodobles, acreditávamos que estávamos a ser modernos.
De manhã, quando eu acordava, a minha mãe tinha a farda passada e dobrada à minha espera, a camisa pendurada nas costas de uma cadeira. Os sapatos engraxados.
E o tempo passava. Sem que me apercebesse, de repente, transformava-se na minha vida."
quinta-feira, 12 de abril de 2012
Eu amo #28
Quando andava no ciclo dançava e dançava e dançava. Andava nas competições e acha que aquilo ia ser a minha vida. Quando passei para o secundário deixei de dançar, mas o bichino ainda rói. Danças de salão, então...
quarta-feira, 11 de abril de 2012
Aparentemente vai passar a ser proibido fumar dentro do carro com crianças lá dentro.
E agora eu pergunto: Mas é preciso uma lei para isto? Não deveriam as pessoas ter o mínimo de bom senso e não fumar perto das crianças? Seja num carro, numa casa ou em outro sitio qualquer.
Mas infelizmente, bom senso é coisa que não abunda por aí. Por isso acho muito bem uma leia que proíba o fumar dentro de um carro com crianças.
Eu só queria que algumas pessoas, leia-se o mais-que-tudo, percebam isto
Desde que me conheço por gente que me dou melhor com rapazes do que com raparigas. Nunca fui Maria rapaz mas sempre tive mais amigos rapazes. E não vejo mal nenhum nisso.
Os rapazes conseguem ser muito mais nossos amigos do que as pessoas do nosso sexo. Sei lá, mas as mulheres são más umas para as outras, são umas invejosas e nem sempre, leia-se quase nunca, são 100% sinceras umas com as outras. Eu só tenho uma amiga que se pode chamar disso mesmo. Que sei que é sempre sincera comigo e eu sou sempre honesta com ela. E rapazes? Tenho 4 ou 5 rapazes nos quais eu sei que posso confiar e com quem posso sair à noite, eu sozinha no meio deles, que não me vão faltar ao respeito de maneira nenhuma. Para mim sair com 5 amigos rapazes é a mesma coisa que sair com 5 amigas.
Pessoas, entendam que lá por uma rapariga se dar mais com rapazes não quer dizer que seja uma vadia e que vá para a cama com eles. Eu tenho amigos super giros mas nunca olhei para eles dessa maneira e tenho a certeza que eles também não olham assim para mim.
Só queria que algumas mentes mais retrogradas entendessem isso.
Really?
E foi assim este sábado na abertura das 3 Chaminés. Eu devo ser de outro mundo ou não sei mas acho este tipo de bailarinas numa discoteca completamente descabido. E depois a cara dos homens/rapazes a olhar e a babar como se aquilo fosse o último copo de água no deserto.
Se eu quisesse ver isto, ia a uma casa de p****
Quarta-feira
E já só faltam 2 dias para chegar o fim de semana. "Ah e tal, ma tu só começaste as aulas hoje" Pois foi, e só vim ontem para Coimbra mas já estou farta de aqui estar.No primeiro ano era uma festa. Chegar ao Domingo a noite e vir para Coimbra, fazer o que me apetecesse sem ter de dar satisfações a ninguém, mas como em tudo na vida, só é lindo ao principio. Passados três anos, eu já conto os dias que faltam para poder ir a casa e fico deprimida ao domingo à noite.O que vale é que amanhã tenho um jantar...
Dia da Mãe
![]() |
| Saco em tecido para sacos de plástico |
| Livro de receitas forrado com tecido |
| Porta-moedas |
Depois das muitas encomendas na Páscoa, a mana já anda a pensar no dia da Mãe por isso ficam aqui duas sugestões. Visitem o facebook dela, tem coisas muito giras.
Não gosto #2
Dos meus joelhos. Há dias vesti uns calções e estive uma carrada de tempo a olhar-me ao espelho antes de sair e casa. Apesar de já ser um bocado normal eu demorar-me no espelho, sou tão vaidosa meu Deus, desta vez foi só a olhar para os meus joelhos.
Não consigo gostar deles. Não perguntem porquê, mas não gosto.
Parecem-me demasiado gordos. Quer dizer, gordos não é bem a definição correcta mas não gosto daquele "excesso de pele" que fica amontoado em algumas posições.
Paranóias. Quando o cérebro não dá para mais, dá nisto...
Não consigo gostar deles. Não perguntem porquê, mas não gosto.
Parecem-me demasiado gordos. Quer dizer, gordos não é bem a definição correcta mas não gosto daquele "excesso de pele" que fica amontoado em algumas posições.
Paranóias. Quando o cérebro não dá para mais, dá nisto...
Mais 3 seguidores? Yupi (:
Obrigado à lucy_rodrigues4, à Filó e à/ao
Infelizmente não consigo ler o blog do/da
z.desaparecido.a.
Infelizmente não consigo ler o blog do/da
z.desaparecido.a porque só está aberto a leitores convidados. De qualquer das maneiras, sejam todos muito bem vindos aqui ao estaminé.
terça-feira, 10 de abril de 2012
O cúmulo da pouca sorte
É lembrar-me às 22h que tenho mini-teste amanhã de manhã, ir buscar a máquina calculadora para por para lá a matéria toda e perceber que não tenho pilhas. Vai ser bonito.
Óculos novos
Já não ia ao oftalmologista há quase 4 anos. Era suposto ir de 2 em 2, mas como andava a ver bem nem dei pelo tempo passar. Quando disse à médica há quanto tempo já tinha aquelas lentes ela olhou-me com uma cara do tipo: Há tanto tempo? Já deves estar quase cegueta. Mas não. O olho esquerdo até diminuiu a graduação e o direito não aumentou quase nada. Até ela ficou admirada.
E como não podia deixar de ser, mudei de armação. Aquela já tinha uns anitos e eu já estava farta dela. O que vale é que eu compro armações de 50€ que é para poder mudar mais vezes.
Os outro eram azuis e a hastes eram transparentes. Estes são roxos e eu adoro-os. Trazia na ideia uns óculos brancos ou transparentes, mas como eu sou loira e também tenho a pele clara aquilo "morria" muito na minha cara. Vieram os roxos e não estou nada arrependida.
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